Ao leve toque dos dedos, ela curva-se e se retrai,
Se oculta entre as folhas, na serenidade de flor.
Seus espinhos a protegem, não há toque sem dor.

Na manha orvalhada, aguarda o sol lhe aquecer.
Seus mistérios e encantos, misteriosa que é.
Um leve toque em sua face, um leve beijo enrubescer.

Aguardarei seu despertar e no campo hei de ver,
Pois há de ser flor e ser bela, há de ser mulher.

Por: Joseli Alves

 Por-do-sol - charitas                                      

O amanhecer é aqui.

Pela janela vejo o mar, me convidando a entrar, a areia alva da praia, o sol nascente e a fresca, incentivando-me a caminhar. Dedos entrelaçados, uma harmonia no olhar.

-Sim! o amanhecer era lá. 

Sentado a sobra da palmeira, de olho no horizonte, pensando no hoje, no ontem, beijando o encanto da vida, no presente ou futuro que há para ter. Homens saltam do céu, descem como borboletas multicores. O amanhecer era ali. 

Quisera apenas um instante a mais na minha lembrança, do ontem que já foi hoje, do passado que se esvai na ampulheta do tempo, esse carrasco que nos trai, nos deixa fora de si.

Na memória estou sempre lá, onde ecoa em minha mente “- Cabe aqui uma poesia!”.

-  O amanhecer é tão lindo aqui.

Por: Joseli Alves

O contador do tempo está cada vez mais veloz, carregando consigo metáforas e quebrando paradigmas, daqueles que não prestaram atenção no pôr-do-sol, mas …  terão outra oportunidade, e assim caminha a humanidade.

A cada ano, nos transformamos em pessoas mais centradas (e mais vividas é claro!) e acumulamos em nosso espírito a sensibilidade de compartilhar com o próximo cada instante que devemos ter, e dar ao mesmo a oportunidade de RECOMEÇAR. A máxima que visualizo nesse  final de ciclo é a RECONSTRUÇÃO.

Que esse novo ano, traga a todos nós a oportunidade de reconstruir, nossos caminhos, nossas metas, nossos horizontes e nosso PARAÍSO. Que possamos estar ligados a corrente contínua de energia que o universo nos permite usar,  e o melhor uso de nosso “eu INTERIOR”, olhar com carinho para o seu próximo e dar a oportunidade a si mesmo de ser FELIZ.

Que esse novo começo, seja de GLÓRIAS e SATISFAÇÃO, que realmente os sorrisos sejam sinceros e que os jardins estejam sempre floridos, e que as flores não sejam apenas um item, mas sejam realmente ADMIRADAS, e que a POESIA da vida seja interpretada por cada um com ALEGRIA.

Desejo PAZ e HARMONIA a todos os meus amigos, e que cada CAMINHAR seja PRECISO, e que a FRATERNIDADE com o próximo seja real e sincera.

A um novo RECOMEÇO, que nos entreguemos sim de corpo e alma em nosso novo ano que se inicia, e que o NATAL marque realmente a CONFRATERNIZAÇÃO entre os homens e que isso seja lembrado e CELEBRADO.

Por: Joseli Alves

A cada amanhecer de somente um dia no ano, somos iluminados com um instante de luz, nesse instante, o universo nos oferece uma parcela ínfima, para que possamos usá-la da maneira que acharmos melhor.A cada instante perdido, deixamos de nos dar e ou oferecer a outrem uma oportunidade única e de vivê-la, essa oportunidade não nos será cobrada, não nos será ofertada até o ano seguinte.O universo é misterioso, e seus mistérios são infinitamente oniscientes e não nos cabe tentar entendê-lo, ou como dizem alguns, adivinhá-lo.Como diria
Paulo Coelho em uma passagem do livro O Diário de um Mago, relata que, o universo conspira em segredo, e se quisermos entendê-lo, a melhor maneira de tentarmos, é escutando o silencio dentro de nós mesmos.

Eu estou longe de ser um Mago, um Poeta talvez, ou apenas um Observador e a cada dia, a cada amanhecer passo a buscar o meu instante mágico, e sigo em algum desses amanhecer, desejando mentalmente ou torpedeando alguém, contribuindo e repassando essa dádiva maravilhosa a outrem. Nao deixe esse instante mágico se perder.

Por: Joseli Alves

No relento a imaginar, como será seu florescer, entre tantas a mais bela  e me coube o destino. Caule esguio, onde guio minhas mãos, atendo-me a sua fragilidade de flor, que leve e fina se transcende a mais pura poesia.

Alegro-me ao ver nesse jardim, entre tantas rosas que há, mas seus traços e perfume a destacam.

Perfeição cantada, perfume em essências mil, emoldurada e eternizada, sempre ti. Não me cabe tal felicidade, em meu peito jardineiro, não me ache inquieto, sou apenas um mortal simplório, tentando descobrir uma razão, que já aceito ser impossível no meu peito de poeta amador, tentar achar o motivo de querer estar tão perto, mesmo sabendo ser impossível.

Rosas serás e tal qual, caberá a mim sua visão ao florescer, seu perfume na aurora e suas lembranças na noite solitária de uma primavera colorida.

Por: Joseli Alves

Descarto

Repulso e nada.

Vazio, obsoleto e cru.

Sem brilho, opaco e morto.

Esgarço, maltrato e nu.

Destino, ora origem.

Fonte recicla e renda.

Lote vazio e bicho.

Busca de nada, prenda.

Luxo que fora, LIXO.

Lixo outrora LUXO.

De Joseli Alves

Por um dia queria ser.
Pintura na parede.
Rede pendurada a sombra.
Coqueiro a beira da praia.
Conchas jogadas ao mar.

Por um dia eu queria.
Caminhos de pedra a seguir.
Olhar perdido no Europa.
Peixe dourado na fonte.
Feriado a imaginar.

Por vários dias queria.
No mar errante, singrar.
Na ponta da linha um peixe.
O dia infinito de Paz.
Sem tristeza e guerra por um dia.

Por Joseli Alves

Espada, espadachim
Peito, coragem viril.
Há na manga, cético e intrépido,
Desejo, patria e amor.

Cavalgada ao infinito.
Sem horizontais planícies.
No rosto, poeira e vento.
Do deserto de seu eu finito.

Cavaleiro errante.
Busca seu destino incerto.
Do outro lado do mar.
No deserto escaldante.

Asas, Icáro, quem dera.
Fecha os olhos e lá está.
No peito bate saudade.
Da casa, dos braços, da amada que espera.

De Joseli Alves.

Da minha janela não a vejo mais
No vai e vem ao sabor do vento
Pétalas ao sol, do verão e primavera
Trazendo perfume, trazendo lembranças
Quem dera…

Na minha janela de vidro embaçado
Somente o sussurro é companhia ativa.
O mar é distante, e a marola não chega aqui.
Não há céu que se enxergue, nem teto que se abriga.
Que sina…

Sombras frias, cortantes, solidão  inquietante,
Papel seco, lápis despontado, “bic”  secas, pretas, azuis.
Bit´s e Bytes , progresso e regresso.
O corpo há de ser são, a mente não sâ,
Dúvidas delirantes…

Céu, montanha, doce Mar,
Viagem longa, estrada,  incauto deserto.
Se rumo incerto, não há quem vá  ao frio.
Quebra-se o vidro e foges dos cacos.
Que cairão, que caírem, que caiam. Isso é certo.

De Joseli Alves

Não é um símbolo mágico, que se acha todo dia, nem como um anagrama que encontramos  oculto dentro de nós. É como uma “voz que não se cala”, ou  um bólido intrépido, do qual  não podemos fugir. Às vezes acho que como a montanha escalada, a adrenalina na veia, que nos funde ao metal mais duro que tentamos ser.

Caminho transpassado,  ponte sobre um rio e peixinhos dourados no seixo inquieto na areia escura sobre a pele. Felicidade é dor aguda,  lembrança da ausência, que os durões fingem não ter,  se excluir de não sentir, é ser.

Felicidade é assim, sempre hoje e amanhã,  um agora e nunca mais, desejo e um sentido, beijo incontido. Poesias dos não-poetas,  frase  sempre certa, desejo universal.

Por: Joseli Alves